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Rachel Gonçalves
Deitada numa rede, deixo os acordes do violão levarem meus pensamentos para longe. Pelo menos a iminência deles. Não consigo terminar um pensamento concreto ou mesmo explicar toda essa abstração cega e sem freios. O tangível foge do meu controle e o metafísico tenta me controlar. E fica tudo por isso mesmo? Tenho a impressão de estar irremediavelmente estacionada, em meio ao engarrafamento na Estrada da Mediocridade. Todos buzinam, enquanto servem de audiência à Voz do Brasil e lêem a Veja no banco de trás. Essa massificação de ideias está me deixando louca. E sei que ela está prestes a me pegar quando me percebo concordando com Lady Gaga e a novela das 8. Sai, sai! Não quero ser subversiva, mas valorizo minhas ideias singulares, mesmo que ninguém mais concorde. Se todos concordassem, não haveriam discussões nem guerras. E isso seria bom? Não! Os maiores avanços da humanidade foram feitos em favor de disputas, e não porque açguém achou bonitinho polimerizar um diamante, por exemplo. E ficar parada, definitivamente, não é algo bonitinho.
Rachel Gonçalves
Parece ser a contradição das contradições. Mas acho que, em pleno carnaval e pela primeira vez em 4 anos, eu estou acreditando no amor. E mais - sem estar apaixonada. E nem carente. Uau. É como se eu deixasse de ser cética quanto aos sentimentos alheios - e com os meus também, por que não assim dizer? Não vou dizer que não vivi paixões além de beijinhos descompromissados. Paixões me marcaram. Mas aidna não era amor. Conscientemente, sabia que não ia dar certo. O que não me impedia de curtir. Só que quando há amor, não tem como falar em consciente, muito menos em certezas. Quem ama sofre. Se não fosse assim, os poetas românticos e subsequentes não gastariam tanta tinta com suspiros e lamúrias. Música, livros, roupas... O mundo não seria o mesmo. Mas então, num mundo desacreditado desses, o que me fez voltar a "querer colo"? Nem eu sei, sinceramente. A intuição pode estar me propondo abaixar (um pouco) a guarda. Em doses homeopáticas, que mal tem? Uma canja nunca fez mal a ninguém.