É. Pois é. Outro ano e eu estou aqui. Não vou dizer que parece que foi ontem, porque além de clichê, é mentira. Apesar de alguns – muitos – tropeços, digo de peito aberto que vivi. Afinal, quem não errou, nunca viveu. Vivi cada momento da minha vida, nunca me contentei em apenas existir. Se eu voltaria atrás em alguns aspectos? Bem, sim. Mas voltar agora implicaria em desfazer-me duma nova vida construída desde certo momento. Sei que a minha vontade de voltar fica menor à cada dia. Se algum dia ela calará? Não… Enquanto eu sorrir, a vontade existirá. Mas não há como não lembrar com carinho de momentos felizes. Mesmo tomando o rumo que tomaram. Contudo, hoje não é dia de tristeza. Completo pois 18 anos e, sem pedantismo, sinto o peso de 20. Existem algumas experiências que – literalmente – te envelhecem. Passando a calar de mais e a sorrir de menos. Se é triste? Não… Dá pra pensar com mais clareza. Porque afinal, um adeus não significa tudo. Ou mesmo nada. Acontecimentos com menos de um ano perdem o brilho do ontem, e as coisas ficam nitidamente mais efêmeras. Como se importassem cada vez menos. E quando você começa a cortar coisas da sua vida, percebe que a primeira delas foi você. O tempo não para nem volta – mas eu não sou assim. Eu penso
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Rachel Gonçalves
O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada; o tempo apenas desloca o incurável do centro das atenções. O homem tem mesmo essa mania de achar que o tempo é a solução para todos os problemas. A virada do ano, por exemplo. Uma data arbitrariamente escolhida no calendário - o que explica toda essa empolgação e felicidade instantânea? Um sentimento coletivo que faz todo mundo se abraçar, gritar e saudar a entidade "ano novo". Tenho a sensação que o homem precisa exercer um falso controle sobre o tempo - sim, é útil, mas essa delimitação em lada limita; a linha temporal não pede passagem nem admite barreiras. Afinal, é ele que nos mata um pouquinho a cada dia. E ainda insistimos em dizer que o tempo cura tudo - depositamos nossas esperanças nisso. Em toda madrugada do dia 1º de janeiro observamos pessoas mais leves e despreocupadas - uma folha em branco, "limpos" para receber coisas novas. É tudo psicológico - tanto que em outras culturas o ano novo é celebrado com a mesma euforia em datas distintas. O placebo é o melhor remédio. A cura está dentro de nossas cabeças.

